Acredito que esse tema, minha grandiosíssima amiga e irmã Andréa Tonete, ficará muito feliz que eu tenha mencionado. Todas as vezes que nos encontramos nos churrascos que fazemos, ela sempre pede para tocar essa maravilhosa música do Caetano e do Gil. Com muito orgulho diz que mostrou a seus alunos e obteve sucesso nos debates.
Esse termo tem uma amplitude monstruosa. Vou usar essa expressão para uma análise para com meus amigos músicos de bares. Local que tive o "prazer" de frequentar um tempo exercendo a função. Em todas as situações da vida, por piores que sejam, temos que absorver o lado positivo. Com o bar não foi diferente, ganha-se a oralidade em público, ampliação de repertório musical, improviso e principalmente os amigos que se faz nesse coliseu, deixando uma grande experiência e uma certa saudade.
Cada um carrega sua bagagem musical, desde geralmente na infância. Uma vez adquirido o gosto pela música, jamais você o abandona. Pode ser que uma certa época, você se encontre no ostracismo e fique um pouco recluso, mas o vazio que muitas pessoas usam a fé para explicar, nós preenchemos assim que pegamos os instrumentos e fazemos a primeira nota.
A realidade que poucos conhecem:
O primeiro contato com o dono do bar, selamos um acordo que na maioria das vezes é dado pelo próprio, com a seguinte desculpa: eu pago x para todos. Com o tempo, esse valor vai diminuindo gradativamente ao invés do contrário.
Marcamos a data e divulgamos em todas as redes sociais, ligamos para os amigos, com intuito de sermos prestigiados, pois se depender do público que está na casa na maioria das vezes. você dorme em cima do instrumento
Os horários de música nos estabelecimentos tem a duração média de 3 a 4 horas. Por exemplo: a maioria funciona entre às 20:00 até 00:00. Somos instruídos a estar no local uma hora antes, então às 19:00, para montagem dos instrumentos e o som. Sem dizer, que 90% das casas não possuí equipamento próprio. Temos que levar de casa mesmo.
Durante a apresentação, o tempo todo recebemos uma chuva de papel contendo um pedido musical, me liga, você é lindo ou toca raul (a maioria das vezes). Tem uma brincadeira que fazemos que é assim: você pode ser o cara mais feio do mundo, mas quando se tem um instrumento em domínio, se torna o mais bonito.
Por fim, próximo da meia noite, mais duas músicas, boa noite a todos e vamos fumar um cigarro. Chega x-músico (pão, carne e alface) e um refrigerante. Ao solicitar o cachê, ocorrem os descontos da cerveja, do destilado...apenas nos dispõem água e o lanche no final.
O público, paga o polêmico couvert artístico para a casa. São R$3 ou R$5, dependendo o dia da semana. Quando se fechou o acordo, o valor foi fixo. Acontece algumas vezes que o músico desconhece o couvert que a casa cobra. Somente quando aparece um amigo dizendo. Imaginem que esse lugar está com 300 pessoas. Multipliquem esse couvert pelas pessoas e cheguem ao total. O que nós recebemos é menos de um terço disso. Concluímos então que somos explorados, menosprezados, esculachados e principalmente escravizados.
Colocando no papel o gasto: cordas, baquetas e palhetas, o investimento do seu som e do seu instrumento que constantemente estão em manutenção, as famosas revistinhas de cifras, gasolina, pneus, telefonemas, sem contar o risco que se corre quando a casa desmarca em cima da hora. No final das contas estamos pagando para divertir as pessoas, abrindo mão de uma vida social e enchendo a barriga desses exploradores.
Coliseu: o bar. Gladiadores: músicos x propritário. Povo: o povo. Pão: Raul, Vitor e Léo, Amado Batista. Circo: o espetáculo a parte.
Não podemos mais ficar dizendo que fingimos que tocamos e eles fingem que nos pagam. Minha sugestão é abrir mão de um sábado em comum acordo. 100% do couvert ou sem música.
Excluirei dois lugares que sempre me receberam de braços abertos e sei que sempre estarão. O Rafa e o Ulisses do Boteco Ferreirinha e o Márcio do Alternativo. Um forte abraço a esses dois lugares que sempre gostei muito de tocar.

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