quinta-feira, 16 de junho de 2011

No circo dos horrores, o palhaço paga para entrar.


Atenção senhoras e senhores: vai começar o maior espetáculo da terra. O cheque de 500 mil foi exibido e as autoridades já aprovaram, pois é dos cofres públicos e ninguém vai perceber.
Estão chegando "heróis" de todas as partes do Brasil para enfrentar a fúria dos indomados irracionais. E o povo que guardou o salário o ano inteiro já confirmou a participação. São eles: o enfermo do hospital municipal, o pai com meia dúzia de herdeiros , que queriam tomar su café da manhã decentemente, a funcionária da loja da esquina que come marmita todos os dias, a velhinha que ainda não recebeu a aposentadoria do mês passado, o estudante que mendingou na secretaria a mensalidade do seu curso e o carinha que financiou sua Saveiro em suaves prestações de R$ 600 reais. Mas tudo vale a pena, pois são duas semanas do carnaval rural e todo mundo quer comer poeira
O credor no início até gostou da idéia, seu estoque de couro se esgotou, mas depois ficou preocupado. Pode ser que seus clientes lhe tenha passado o cheque capim, aquele só o burro aceita.
O cowbói Zelão está prestes a cometer um suicídio, pois sua calça apertada o tornou estéril. O vereador Cidão comprou o maior chapéu da cidade para esconder o chifre. A socialite toma seu espumante Peterlongo no camarote e o colunista Val Lanches jura que é francês. Tô bege!
O locutor Léo Casco de Cavalo anuncia que o padre está atrasado. Na verdade ele está na fila comprando o famoso cachorro quente de meio metro de salsicha para o coroinha, pois havia prometido no último domingo depois da missa. A expectativa é grande, todos querem ver a santa e cantar o hino das seis da tarde. O ambulante nas arquibancadas vende os lenços descartáveis.
Prefiro não narrar o fato posterior a isso, pois é muito triste e ninguém quer saber. Afinal, todos querem ver o show do Pitãozinho e Xeraumpó. Muitos sucessos são cantandos em uníssono. O carro-chefe é Fio de Pentelho.
Na fila do banheiro, o flerte, a pegação era intensa. Jura e promessas de amor  feitas sem repúdio. A essas alturas, ninguém era de ninguém.
Balanço final: Congestionamento de 100 km, acidentes a cada 10 minutos, garrafas e latas jogadas na Rodovia. A inadimplência no comércio triplica no mês seguinte e o mais curioso: no mês de março do ano seguinte no hospital da cidade, o número de bebês nascidos bate recorde. Na justiça, várias moças de família correm atrás da pensão.
Passado duas semanas, exatamente após o término do evento, o empresário "Little"Robert House já anuncia as atrações do circo dos horrores do ano que vem. Os palhaços ficam entusiasmados, prontos para protagozinarem mais um espetáculo e ver o cabaré pegar fogo.
 
 
 
 
 
 

terça-feira, 7 de junho de 2011

Panis et Circensis


Acredito que esse tema, minha grandiosíssima amiga e irmã Andréa Tonete, ficará muito feliz que eu tenha mencionado. Todas as vezes que nos encontramos nos churrascos que fazemos, ela sempre pede para tocar essa maravilhosa música do Caetano e do Gil. Com muito orgulho diz que mostrou a seus alunos e obteve sucesso nos debates.
Esse termo tem uma amplitude monstruosa. Vou usar essa expressão para uma análise para com meus amigos músicos de bares. Local que tive o "prazer" de frequentar um tempo exercendo a função. Em todas as situações da vida, por piores que sejam, temos que absorver o lado positivo. Com o bar não foi diferente, ganha-se a oralidade em público, ampliação de repertório musical, improviso e principalmente os amigos que se faz nesse coliseu, deixando uma grande experiência e uma certa saudade.
Cada um carrega sua bagagem musical, desde geralmente na infância. Uma vez adquirido o gosto pela música, jamais você o abandona. Pode ser que uma certa época, você se encontre no ostracismo e fique um pouco recluso, mas o vazio que muitas pessoas usam a fé para explicar, nós preenchemos assim que pegamos os instrumentos e fazemos a primeira nota.
A realidade que poucos conhecem:
O primeiro contato com o dono do bar, selamos um acordo que na maioria das vezes é dado pelo próprio, com a seguinte desculpa: eu pago x para todos. Com o tempo, esse valor vai diminuindo gradativamente ao invés do contrário.
Marcamos a data e divulgamos em todas as redes sociais, ligamos para os amigos, com intuito de sermos prestigiados, pois se depender do público que está na casa na maioria das vezes. você dorme em cima do instrumento
Os horários de música nos estabelecimentos tem a duração média de 3 a 4 horas. Por exemplo: a maioria funciona entre às 20:00 até 00:00. Somos instruídos a estar no local uma hora antes, então às 19:00, para montagem dos instrumentos e o som. Sem dizer, que 90% das casas não possuí equipamento próprio. Temos que levar de casa mesmo.
Durante a apresentação, o tempo todo recebemos uma chuva de papel contendo um pedido musical, me liga, você é lindo ou toca raul (a maioria das vezes). Tem uma brincadeira que fazemos que é assim: você pode ser o cara mais feio do mundo, mas quando se tem um instrumento em domínio, se torna o mais bonito.
Por fim, próximo da meia noite, mais duas músicas, boa noite a todos e vamos fumar um cigarro. Chega x-músico (pão, carne e alface) e um refrigerante. Ao solicitar o cachê, ocorrem os descontos da cerveja, do destilado...apenas nos dispõem água e o lanche no final.
O público, paga o polêmico couvert artístico para a casa. São R$3 ou R$5, dependendo o dia da semana. Quando se fechou o acordo, o valor foi fixo. Acontece algumas vezes que o músico desconhece o couvert que a casa cobra. Somente quando aparece um amigo dizendo. Imaginem que esse lugar está com 300 pessoas. Multipliquem esse couvert pelas pessoas e cheguem ao total. O que nós recebemos é menos de um terço disso. Concluímos então que somos explorados, menosprezados, esculachados e principalmente escravizados.
Colocando no papel o gasto: cordas, baquetas e palhetas, o investimento do seu som e do seu instrumento que constantemente estão em manutenção, as famosas revistinhas de cifras, gasolina, pneus, telefonemas, sem contar o risco que se corre quando a casa desmarca em cima da hora. No final das contas estamos pagando para divertir as pessoas, abrindo mão de uma vida social e enchendo a barriga desses exploradores.
Coliseu: o bar. Gladiadores: músicos x propritário. Povo: o povo. Pão: Raul, Vitor e Léo, Amado Batista. Circo: o espetáculo a parte.
Não podemos mais ficar dizendo que fingimos que tocamos e eles fingem que nos pagam. Minha sugestão é abrir mão de um sábado em comum acordo. 100% do couvert ou sem música.
Excluirei dois lugares que sempre me receberam de braços abertos e sei que sempre estarão. O Rafa e o Ulisses do Boteco Ferreirinha e o Márcio do Alternativo. Um forte abraço a esses dois lugares que sempre gostei muito de tocar.
 
 
 
 
 
 
 

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Saia do armário e seja feliz

 Antes de começar a falar sobre esse tema, gostaria de agradecer carinhosamente o retorno que tive com a primeira postagem e lhes apresentar esse novo blog, que ficou mais interativo. Quem deu a dica foi minha amiga blogueira e parceira das cervejadas no Alternativo Pizza Bar Claudia Mantovani que escreve no Falar Francamente - Desabafos da Alma e a Pammela.
Atendendo a pedidos, gostaria de fazer uma análise sobre esse assunto tão atual desde a Alegoria da Caverna que está escrito na República de Platão, no capítulo 7, da qual Sócrates mostra a Glauco, irmão mais novo de Platão,   as pessoas que estão aprisionadas nessa caverna e só enxergam sombras projetadas na parede e tiram conclusões precipitadas daquilo que estão vendo.
A caverna hoje, foi substituída pelo armário, que ao meu ver, se tornou menor e mais claustrofóbico.
A música Mestre Jonas, do Sá, Rodrix e Guarabira, escrita nos anos 70 fala sobre a baleia da qual Jonas está inserido e nela ele diz que está mais seguro do que num grande navio fazendo dela sua casa e sua cidade. Falando com o Leandro Siriani um dia desses no quiosque do Free, tomando uma cerveja pra elevar as idéias, a tal música se encaixa perfeitamente no filme Durval Discos, de 2002, com a direção de Anna Muylaert. Fala sobre um vendedor de discos de vinil que insiste em vendê-los em plena ascensão do cd, onde ele ainda é submisso à mãe e não sai de casa em ocasião alguma.
O armário é uma metáfora das instituições da qual regem suas leis de forma moral. Podemos citar então: a família, como é abordado no filme; a igreja, o estado, empresas, academia, etc...Mas por quê academia??
Pois bem, na academia você faz o uso do seu corpo para se proteger do medo. Não estou incentivando a não terem uma boa saúde, mas sim no que você quer representar com ele para as pessoas. Já reparou como esses "narcisos" praticam o auto-sexo com os olhos? É engraçado. O medo está naquilo que não quer deixar transparecer. Mas no fundo, muito deles querem mesmo é dar uma voltinha com o poodle na esquina. Já ouviram o termo, essa coca é fanta? É isso.
Eu sou a favor da felicidade. Mas o que muitos ainda não se deram conta é que eles estão escondidos atrás de um conjunto de normas e estão preocupados com o que vão pensar sobre o que querem ser, pois se paga um preço muito alto em ser o que você tem vontade.
Sou um ateu declarado e vem a sociedade dizendo que eu sou a toa. A toa são pessoas que se conformam com aquilo e nem ao menos se dão ao trabalho de questionar aquilo que lhes são impostos. Somente os idiotas tem a resposta. Não fiquem assustados, o nosso carma é querer acreditar.
Defendo e faço apologia que peguem o machado ou dêem um belo de um empurrão nesse armário e respirem aliviados.
Dedico esse texto ao: Marcos Japão, Fell Phoenix, André Miranda e ao Juca.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Não sou do contra, é você que é igual a todos!


Relato aqui nessas linhas, minha ilíada e odisséia. Mas não no sentido mítico, mas no que se diz respeito a uma verdadeira batalha tortuosa até a ida para a universidade, para muitos, a "facu", termo que me policio constantemente para não usá-lo, assim como findi. Não é difícil achar o útimo, basta acessar seu facebook ou o falecido orkut numa segunda. Todos tiveram um findi mais que perfeito; fotos fazendo biquinho, polegar indicando positivo,aquela fila de meninas com os cabelos e roupas iguais, do lado da outra, baladas sertanejas universitárias (???). Gostaria já de cara fazer uma análise sobre esse sertanejo universitário.
Há uns anos atrás, gostar desse estilo de música era algo discriminado. Somente pessoas que tinham um histórico interiorano, os vovôs e vovós... era som de véio, assim diziam. A MTV no final de noventa e começo de dois mil, lançou uma série de acústicos com bandas oitentistas,muito boas diga-se passagem, que me serviram de influência para formação musical. A fórmula deu tão certo que essas bandas de rock passaram a tocar mais nas fms. Rock=Juventude. Rock acústico: tiram-se as guitarras e o som não fica pesado, como a maioria gosta. Lembro que esse neo-sertanejo começou com umas duplas gravando seus discos acústicos e também passou a tocar incessantemente nas rádios. Cada dia era uma nova dupla. Daí então a fórmula e o rótulo.
Tem uma frase que gosto muito, que tenho orgulho em dizer que essa é minha: "Se o sertanejo é universitário é porque o ensino acadêmico é decadente". Se acha um exagero, volte um pouco no final de 60. Eu sei que não viví essa época, infelizmente. Mas o que é bom permanece. Basta fazer um levantamento sobre o que diziam as letras.
Me sinto mais aliviado agora. Então vamos nos apresentar.
Eu sou o Bruno, estudante de filosofia, músico, pai do Murilo e muito feliz em compartilhar todas essas injúrias e os meus bons amigos com a Pammela, uma norte-americana maravilhosa que está aqui no Brasil estudando, morando e tentando me botar no eixo.
Para finalizar, ontem eu ouvi dentro da van, cheia de estudantes universitários: "Quem vai à festa do peão"?? Estava ouvindo Cabine C no Mp3 e tive que fazer uma pausa só para ouvir as respostas. Vocês devem imaginar as barbaridades. As de sempre. Portanto, nem me questionam mais sobre isso, pois não tenho cara de quem quer fazer amizade. Não acho que sou do contra, apenas acho que você é mais um no meio de tantos.